Ministro da Saúde afirma que vacinação de adolescentes foi feita de forma ‘intempestiva’

16/09/2021

Marcelo Queiroga cita eventos adversos e afirma que não há evidências científicas consolidadas sobre os benefícios

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, defendeu a decisão de suspender a vacinação contra a Covid-19 de adolescentes entre 12 e 17 anos que não possuem comorbidades. Segundo Queiroga, alguns eventos adversos nesta parcela do público devem ser investigados e os Estados não seguiram o Plano Nacional de Imunização (PNI), iniciando a aplicação das doses nos adolescentes antes do previsto, “de forma intempestiva”. O ministro disse ter recebido uma ligação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que estaria “muito preocupado” com a questão. Adolescentes sem comorbidades que tomaram a primeira dose não receberão a segunda por causa da interrupção, enquanto os jovens que têm comorbidades, estão privados de liberdade ou que tem deficiências permanentes seguirão no plano de imunização.

Queiroga afirmou ser “uma questão de cautela”, por considerar que as evidências científicas que demonstrariam os benefícios da vacinação para os adolescentes ainda não estão consolidadas, e que 1,5 mil eventos adversos teriam ocorrido — ou seja, 0,042% do total de adolescentes vacinados no Brasil, de 3,5 milhões. “Não é um número grande, mas temos que ficar atentos”, afirmou o médico. O ministro ainda citou a ocorrência de uma morte de um jovem que recebeu uma dose do imunizante da Pfizer em São Bernardo do Campo (SP). Arnaldo Medeiros, secretário de vigilância sanitária do Ministério da Saúde, disse que cerca de 93% dos eventos adversos ocorreram pela aplicação de vacinas não aprovadas pela Anvisa para a faixa etária.

O ministro ainda citou a decisão do Reino Unido de não vacinar todos os adolescentes por causa do raríssimo risco de miocardite, uma inflamação no coração, embora ele mesmo tenha admitido que o risco do caso acontecer é muito maior pelo próprio vírus. Queiroga afirmou que caberá ao Ministério Público e a outros órgãos garantir que a suspensão realmente seja posta em prática, já que algumas secretarias da saúde estaduais, como a de São Paulo, garantiram que seguirão aplicando as vacinas nos adolescentes.

Na nota divulgada em que anunciou a decisão, o Ministério da Saúde disse que a Organização Mundial da Saúde (OMS) não recomendava a imunização de adolescentes. A OMS, no entanto, coloca a vacinação de jovens sem comorbidades entre 12 e 17 anos como “menos urgente”, devido ao risco menor de complicações, mas ainda a recomenda, caso grupos prioritários como idosos e profissionais da saúde já tenham recebido. No Brasil, apenas a vacina da Pfizer foi aprovada para adolescentes entre 12 e 17 anos.

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